Conheci um menino, que se entregava as risadas, cujo sorriso preenchia a alma. Ele perde o olhar constantemente entre uma palavra e outra. Às vezes a paisagem fica interessante demais para não seguir.
Conheci um menino que me disse tirar os fones de ouvido para perceber como a rua parecia interessante. "Aquela árvore". Ver o imperceptível. Alguém que se entrega ao momento com os olhos vibrantes e ao relembrar amantes, voltava no tempo.
Dos risos, das gargalhadas, da apreensão e das mãos inquietas. Do sono, com o qual acaricia os olhos com o dorso da mão. Parece por um momento um gato, sonolento e distraído, uma combinação irresistível leonino.
Os olhos marejados de qualquer coisa, que acordam pela manhã entreabertos e permanecem assim até dormir. Ele sente o mundo em uma vibração que parece ninguém mais sentir. Pelo menos até descobrir que eu sentia também. Nos conectamos com o invisível aos olhos.
Ele fala meu nome com força, quase como uma ordem de 'venha aqui. Agora'. E explica cada linha de um raciocínio que já entendi. Mas ouço outra vez, pergunto de novo. "Quer que eu te conte outra vez?" (jogaremos xadrez).
Somos bondosos, somos inteiramente dedicados ao que escolhemos lutar (sobre batalhas que sabemos que venceremos), somos algo que por um segundo se perde em uma nota qualquer e se acha novamente nas lágrimas de felicidade, nas frases desconexas e cortadas. Nas piadas sem graça (que são as melhores).
Ele é tímido.
Ele tem o sorriso mais lindo que já vi.
Ele fecha os olhos quando sorri.
