Oct. 5, 1984, Launch of History-Making STS-41G Mission
Quando você acorda e acredita que o mundo conspira para seu fracasso. Ainda assim...
Apenas sorri quando de longe vi você pela primeira vez. Nem um, nem outro. Você. É incrível como a tecnologia pode aproximar dois corpos, dois sentimentos, dois olhares distantes envoltos por códigos binários. Nos conhecemos, nos (re)conhecemos. Mas eu já vi você na minha frente.
E sonhei a noite. Sonhei um sonho onde estávamos olhando um por do sol em um lugar qualquer, de mãos dadas. Sem falar nada, apenas vislumbrando um momento único em nossas vidas. Senti como se a qualquer momento eu pudesse acordar e sentir a brisa salina em meu corpo. Era sal. Novamente, era sal.
Eu guardei o melhor de mim. Eu sei que guardei. Ninguém nunca conheceu, ouviu ou viu o melhor de mim. Treinei os sentidos para esse momento, guardo um ou dois truques na manga. Sei que quando for o momento terei de respirar fundo e usa-los. Me conhecerás por inteiro. Me despirei de tudo. Serei eterna.
E a ilusão, e o beijo, e a briga no sonho. E a cada dia que passa distante e mais distante que se faça, próximo está de algo que não se ao certo, um olhar, um piscar. Uma borboleta que pousaria em meu ombro sendo totalmente ignorada pela presença dele. Ele está ali. Ele está ali.
Guardei o melhor de mim. O melhor sorriso, o mais sincero. Guardei o acalanto que faz suspirar, o beijo, o afago no cabelo. A melhor frase, o melhor presente.
Desde que era um pequeno verme barrigudo envolto a bonecas e quadros, treinando com maestria a licenciatura, eu sabia - Meu marido será o melhor de todos. E idealizava o momento, o nascimento do filho, o beijo no altar.
Escolhi, com 9 anos, o vestido. Sabia que não seria aquele, nem aquele outro. Nem talvez esse. Sem dúvida, o começo do namoro era o término "Não será o meu melhor".
E agora, chegado aos 20 e tantos, temo que meu melhor se esgote em dramas e desalentos. Em solitudes. Em momentos de tensão frente a uma tela que me corrói, que me destrói, que não preserva o melhor, nem o pior. Apenas consome aquilo que sou.
Guardei o pisar na ponta dos dedos e o andar nu de costas. Guardei o melhor te amo, o melhor dia de todos. Guardei a metade da metade para gastar quando fosse a chegada hora.
Eu sabia que não era ele, nem ele, nem aquele.
Guardei meu filho, guardei minha cama e guardei minha casa. Guardei a lágrima de felicidade, guardei o gole d'água na manhã difícil. Guardei o abraço depois da briga, o melhor retrato, a melhor pose na frente do espelho. Guardei os queijos, o vinho e o filme que sonhei assistir ao lado dele.
Guardei o melhor do que sou para o melhor do que você poderia ser.
E ainda continuo guardando, com medo de me perder.
