Molecular

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Molecular Cloud Barnard 68
Credit: FORS Team, 8.2-meter VLT Antu, ESO
  

 

Para onde foram as estrelas? Para onde vão às estrelas?

Uma nuvem molecular é um dos mais curiosos acontecimentos que tive o privilégio de conhecer. Lá, onde não se enxerga nada, onde não há luz, onde é frio, onde faz falta, onde se cansam as saudades das brilhantes irmãs de maneira improvável, é a potência do nascimento. A nuvem tudo come, tudo some, tudo apaga, cria.

Recentemente, em minha interestelar existência, tive uma constelação inteira apagada, por uma nuvem sombria que se aproximou em um final de tarde. Eu me preparava para um compromisso e a nuvem para outro.

Me tomou o brilho de um amor querido. E nem faz sentido escolher o céu, se quem o levou foi o mar.

Me recordo em andar em sua garupa (como na Ursa Maior! A carruagem de Odin!), me levava mil sorrisos, com cabelos ao vento. Eu ainda era uma criança.

As ausências, a escuridão, o vazio de uma nuvem de poeira que tudo come, tudo some, tudo apaga.

Aguardo que ela dê à luz, milagrosamente, a um novo planeta. Aguardo que essa nuvem exploda em mil constelações. Aguardo que isso tudo isso que não sinto, que não vejo, brilhe novamente. Que nasça algo do improvável.