Nebulosas

 

The Dark Seahorse of Cepheus Image Credit & Copyright: Davide Broise
The Dark Seahorse of Cepheus
Image Credit & Copyright: Davide Broise
 
 
Nebulosas não são estrelas.


Como deve ser a vida de uma nebulosa? Uma grande, densa e irregular nuvem? O que pensavam os magos quando ao observar o céu encontravam esses rasgos, amontoados? Em uma tarde de domingo comecei a pesquisar, com grande entusiasmo. A primeira afirmação: Nebulosas não são estrelas.
 
E às vezes, sim, elas são estrelas. Em 1922, após um grande debate chamado Shapley-Curtis, concluiu-se que nebulosas podem simplesmente ser constelações distantes da nossa. E que todas são associadas a estrelas. Enquanto algumas são bercários e criam novas estrelas, outras surgem no fim de suas vidas..

A Nebulosa escura é tão densa que a luz não consegue atravessar por ela, formando esse rasgo. Um dos sinônimos de rasgo, é ímpeto. Um grito silencioso, que, possivelmente, cria novas estrelas.

Talvez seja muito difícil compreender as relações da vida por meio do estudo da astronomia. Posso enxergar como pessoas podem julgar sem vida aquilo que desconhecem, ao ponto de ignorarem, pelas circunstâncias, um fim ou um início de uma. A imensa potencialidade ou a perda de energia. A galáxia de andrômeda, magistral, foi considerada uma nebulosa sem muito valor por muitos anos, talvez como muitos de nós fomos considerados por tanto tempo.
 
Talvez não seja tão fácil, mas observar uma nebulosa é experimentar o descontrole, o desequilíbrio desenfreado, renunciar definições e conceitos, não sabemos se nasce ou morre. Tudo é belo. E na minha perspectiva, é. Morrer e nascer é nebular. É gerar dúvida, rasgos, ímpetos, tornar-se denso, irregular - e tudo com profunda beleza.

Nos céus, bem distante de nós, visíveis ou invisíveis aos olhos, guardamos segredos. Um segredo profundo sobre a existência, que não é só minha. Mas de tudo, do todo, como uma grande e imensa história de um único Autor. Entender as lições que os céus trazem é conquistar mitos e símbolos, é trazer riqueza, abundância. Enobrece meus frios e opacos dias. 
 
Nisso tudo, ser nuvem nem sempre é de todo ruim. Não ser compreendida, não é de todo ruim. Carrego em mim o mistério da morte e do nascimento, sem intenção. 
 
Aprenda a amar o mistério, os inícios e os fins, como são.